Recria de gado de corte: O que dá mais lucro? Macho ou fêmea?

Tempo de leitura: 5 minutos

A recria de gado de corte é uma das etapas mais importantes na pecuária, especialmente para produtores que desejam maximizar seus lucros. Porém, uma dúvida recorrente é: o que dá mais lucro, recriar machos ou fêmeas? Essa pergunta é central para muitos pecuaristas que buscam eficiência econômica. 

Neste artigo, vamos analisar as diferenças entre recria de machos e fêmeas, seus custos, a suplementação necessária e, mais importante, qual dessas opções oferece a maior rentabilidade.

Entenda as diferenças entre recriar machos e fêmeas na pecuária de corte.
Entenda as diferenças entre recriar machos e fêmeas na pecuária de corte e saiba qual estratégia oferece maior rentabilidade para seu negócio. | Foto: O Pecuário.

Diferenças entre recria de machos e fêmeas

Na recria de gado de corte, tanto machos quanto fêmeas desempenham papeis importantes, mas existem algumas diferenças consideráveis entre os dois. 

Os machos, por natureza, tendem a ganhar mais peso por dia e, em muitas situações, alcançam um peso de venda mais elevado, o que pode resultar em uma maior receita por cabeça. Já as fêmeas, embora apresentem ganho de peso diário menor, são menos exigentes em termos de suplementação e cuidados específicos.

Essas distinções não significam que recriar machos seja sempre a melhor escolha. Em termos de eficiência e retorno sobre o investimento, há vários fatores que precisam ser levados em consideração, como o custo inicial da compra, o ganho de peso diário, o período de recria, e, claro, a demanda do mercado. 

Em muitos casos, a recria de fêmeas pode ser mais lucrativa justamente porque os custos envolvidos são menores, e a operação pode ser mais rentável em comparação à recria de machos.

Custos iniciais: quanto custa recriar machos e fêmeas?

Para entender o impacto financeiro da recria de gado de corte, é fundamental começar pela análise dos custos iniciais. Vamos utilizar o exemplo de uma região onde o bezerro desmamado de 7 arrobas (em torno de 210 kg) custa cerca de R$1.700. Com base em um valor de R$242 por arroba, o pecuarista já inicia a recria com esse investimento inicial.

No caso dos machos, o custo da compra é, geralmente, maior porque eles pesam mais e têm um valor por arroba mais alto. A recria de machos exige um investimento inicial maior, já que o peso de entrada costuma ser mais elevado. As fêmeas, por outro lado, entram no processo com um peso menor, em torno de 180 kg, e o valor de compra pode ser significativamente mais baixo, aproximadamente R$1.100 em certas regiões. 

Essa diferença inicial já coloca a recria de fêmeas como uma opção potencialmente mais acessível para muitos produtores.

Suplementação na recria de gado de corte: machos versus fêmeas

Outro aspecto que precisa ser cuidadosamente analisado na recria de gado de corte é o consumo de suplementação. Os machos, por serem animais maiores e que ganham mais peso por dia, necessitam de mais suplementação em comparação às fêmeas. Um macho que entra no sistema de recria com 210 kg, por exemplo, pode ganhar 1 kg por dia, enquanto a fêmea tende a ganhar em torno de 750 g por dia.

Aqui, a suplementação faz uma grande diferença. Vamos considerar um suplemento proteico-energético, com consumo de 0,3% do peso vivo por dia. No caso do macho, o consumo diário será de aproximadamente 945 gramas, o que, ao longo de 210 dias, representa cerca de 198 kg de suplemento consumido. Se o preço do suplemento for R$1,50 por quilo, o gasto total com suplementação para o macho será de R$297.

As fêmeas, com um ganho de peso menor, também consomem menos suplemento. Para uma novilha de 180 kg, o consumo diário será de cerca de 776 gramas, totalizando 163 kg de suplemento ao longo dos 210 dias. Esse consumo menor reduz os custos com suplementação, tornando a recria de fêmeas mais econômica nesse aspecto.

Margem de lucro na recria de gado de corte: comparando machos e fêmeas

Com todos esses fatores em mente, como fica a margem de lucro entre recriar machos ou fêmeas? Vamos fazer as contas. Para um macho, o custo total da recria, somando o preço de compra e a suplementação, chega a aproximadamente R$1.997. No final do período de recria, esse animal pode ser vendido por cerca de R$2.940, resultando em uma margem bruta de R$942 por cabeça.

Já no caso das fêmeas, o custo total é mais baixo: R$1.354, considerando o preço de compra e suplementação. A fêmea, ao final da recria, pode ser vendida por cerca de R$2.137, gerando uma margem bruta de R$782 por cabeça. 

Embora a margem por cabeça seja menor do que a dos machos, a recria de fêmeas pode ser mais rentável ao considerar o investimento inicial menor.

Rentabilidade: o fator chave na recria de gado de corte

Agora que entendemos a diferença nas margens por cabeça entre machos e fêmeas, precisamos calcular a rentabilidade, que é o verdadeiro indicador de sucesso na pecuária. A rentabilidade mostra o quanto o investimento inicial retorna em forma de lucro. No caso dos machos, a rentabilidade é de 47%, enquanto nas fêmeas esse número sobe para 58%.

Embora a recria de machos produza uma margem bruta maior por cabeça, a recria de fêmeas oferece uma rentabilidade superior, justamente porque o investimento inicial é mais baixo. Isso significa que, em termos de eficiência econômica, recriar fêmeas pode ser mais vantajoso em determinadas circunstâncias, principalmente para produtores que desejam maximizar o retorno sobre o capital investido.

Afinal, qual recria de gado de corte é mais lucrativa?

Em resumo, a escolha entre recriar machos ou fêmeas depende de vários fatores, como o objetivo do produtor, a disponibilidade de recursos e o mercado local. Os machos ganham mais peso, geram maior receita por cabeça, mas exigem um investimento inicial maior. As fêmeas, por outro lado, têm um custo de recria mais baixo e uma operação potencialmente mais rentável.

Para pecuaristas que buscam eficiência e rentabilidade, a recria de fêmeas pode ser a melhor escolha, especialmente em um cenário onde o controle de custos é crucial. No entanto, para aqueles que dispõem de mais capital e querem maximizar a produção de arrobas, recriar machos pode ser uma estratégia interessante.

Por fim, independentemente da escolha entre machos ou fêmeas, o que realmente paga a conta na pecuária moderna é a análise financeira detalhada e profissionalizada. O pecuarista que adotar uma abordagem analítica e focada em números terá mais chances de sucesso, garantindo a sustentabilidade e o crescimento de sua operação de recria de gado de corte.

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