A pecuária de corte é uma das atividades mais tradicionais e rentáveis do agronegócio brasileiro, no entanto, uma pergunta frequente entre os produtores é: qual gado de corte dá mais dinheiro, macho ou fêmea? A resposta a essa pergunta não é simples e depende de vários fatores, como o momento do ciclo pecuário, os custos envolvidos e a estratégia adotada para o manejo.
Neste artigo, vamos analisar como esses fatores impactam a lucratividade e qual a melhor escolha para quem deseja investir na pecuária lucrativa.

O Conceito de Taxa de Lotação com gado de Corte
Antes de entrarmos na análise de rentabilidade entre machos e fêmeas, é importante entender o conceito de taxa de lotação. Na pecuária de corte, a taxa de lotação é expressa em Unidade Animal (UA) por hectare.
Uma UA equivale a 450 kg de peso vivo, e padronizar esse cálculo é essencial para entender o potencial de produção de uma área. Isso evita a confusão causada pela simples contagem de cabeças, uma vez que o consumo alimentar de cada animal varia conforme o peso.
Por exemplo, se falarmos que uma área suporta 5 cabeças por hectare, estamos deixando de lado que o consumo de cinco machos de 450 kg é muito maior do que o de cinco fêmeas mais leves. Por isso, ao utilizarmos a Unidade Animal (UA), conseguimos ajustar a conta para uma comparação mais precisa entre os diferentes grupos de animais.
Gado de Corte: Lotação e Rentabilidade de Machos
A análise de lotação e rentabilidade entre machos e fêmeas mostra diferenças significativas. Ao calcular a lotação média de machos, considerando a entrada com 210 kg e a saída com 420 kg, é possível alocar cerca de 7 machos por hectare. Essa lotação leva em conta que o peso final é praticamente o dobro do peso inicial, o que impacta diretamente na quantidade de alimento consumido e na gestão da área.
Mas, qual é a margem de lucro obtida por hectare com a criação de machos? No exemplo analisado, foi identificado que, com um desembolso de R$ 100 por cabeça/mês, a margem por hectare para os machos foi de aproximadamente R$ 5.592. Essa margem considera os custos com alimentação, suplementação, cercas, água e manejo, bem como o valor de venda do animal.
Embora essa margem seja interessante, ela continua abaixo do que é possível alcançar com fêmeas, como veremos a seguir. No entanto, é importante lembrar que o resultado pode variar dependendo do momento do ciclo pecuário e da gestão da propriedade.
Pecuária Lucrativa: A Vantagem das Fêmeas no Ciclo Atual
Atualmente, a pecuária de corte está vivendo um momento único no ciclo pecuário, o que torna a criação de fêmeas uma opção extremamente vantajosa. Enquanto os bezerros estão em um momento de baixa, o que barateia sua compra, o valor de venda das fêmeas adultas está em alta, tornando esse um momento estratégico para aumentar o número de matrizes nas fazendas.
No cálculo de lotação para fêmeas, a entrada se dá com aproximadamente 210 kg e a saída com 420 kg, o que permite a alocação de cerca de 8,6 fêmeas por hectare. Isso representa uma diferença significativa em relação aos machos, pois há uma cabeça e meia a mais por hectare no caso das fêmeas. Essa diferença, quando multiplicada em uma área maior, pode resultar em um número muito maior de animais na propriedade, aumentando a capacidade de produção e, consequentemente, a rentabilidade.
A margem por hectare para as fêmeas também é superior à dos machos. No mesmo cenário de desembolso de R$ 100 por cabeça/mês, a margem para as fêmeas foi de R$ 7.222 por hectare, uma diferença expressiva que torna a criação de fêmeas mais atrativa neste momento.
Essa vantagem é explicada, em parte, pelo deságio na compra de fêmeas desmamadas, que estão mais baratas no ciclo atual. Esse deságio, aliado à possibilidade de transformá-las em novilhas e, posteriormente, em matrizes, faz com que o retorno financeiro da criação de fêmeas seja mais rápido e consistente.
Além disso, a venda de bezerros gerados por essas matrizes tende a ocorrer em um momento de alta no ciclo pecuário, o que aumenta ainda mais a rentabilidade.
Oportunidades e Desafios na Pecuária de Corte Intensiva
Alcançar uma pecuária lucrativa com alta rentabilidade por hectare exige ajustes importantes na gestão da fazenda. A pecuária intensiva envolve um manejo mais complexo e custos operacionais mais elevados, mas, em contrapartida, permite uma produção muito maior por hectare. Práticas como adubação do pasto, suplementação nutricional adequada e oferta de água de qualidade são fundamentais para que a alta lotação seja viável e sustentável.
Um dos desafios da pecuária intensiva é justamente o aumento dos custos com insumos e infraestrutura, como cercas e cochos de alimentação. No entanto, esses investimentos são compensados pela maior produção de arrobas por hectare e pela capacidade de gerar uma receita muito superior à pecuária extensiva tradicional.
Além disso, o momento atual do ciclo pecuário oferece uma oportunidade única para os produtores que desejam investir na criação de fêmeas. Com a possibilidade de comprar bezerros a preços baixos e vendê-los em um ciclo de alta, os pecuaristas podem aproveitar a valorização futura do gado para maximizar seus lucros.
Conclusão: Macho ou Fêmea? A Melhor Escolha para Pecuária lucrativa de Corte
A análise detalhada de lotação, margem por hectare e rentabilidade mensal mostra que, no cenário atual, as fêmeas oferecem uma maior rentabilidade na pecuária de corte. Com uma lotação mais alta e uma margem por hectare superior, as fêmeas estão se mostrando a escolha mais lucrativa para os pecuaristas que desejam aproveitar o momento do ciclo pecuário.
Por fim, para alcançar uma pecuária lucrativa, é essencial investir em planejamento e manejo intensivo. Práticas como adubação, suplementação e oferta de água de qualidade são fundamentais para aumentar a lotação e a produção de arrobas por hectare. Com essas estratégias, é possível maximizar a rentabilidade da fazenda e garantir o sucesso com gado de corte.
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