Boi de corte: o segredo da pecuária lucrativa. Confira

Tempo de leitura: 9 minutos

A pecuária lucrativa com o boi de corte tem evoluído significativamente com o avanço das técnicas de manejo e tecnologia. O método Acelerador de Arrobas é uma abordagem inovadora que visa maximizar a produtividade e o retorno financeiro por hectare na criação de bovinos de corte. Com o objetivo de alcançar um lucro de 15 mil reais por hectare, a metodologia se diferencia por seu enfoque intensivo e por proporcionar um retorno superior ao modelo tradicional de pecuária.

Este método se baseia na intensificação da produção, utilizando técnicas modernas de manejo, suplementação e adubação, que permitem aumentar a densidade de animais por hectare e melhorar o ganho de peso. 

O Acelerador de Arrobas não apenas promete um retorno financeiro significativo, mas também busca minimizar os riscos em comparação com práticas agrícolas convencionais, tornando-se uma alternativa viável e lucrativa para os produtores de bovinos de corte.

Boi de corte o segredo da pecuária lucrativa
Confira mais sobre o boi de corte e desmistifique a pecuária lucrativa. | Foto: O Pecuário.

O que é Acelerador de Arrobas?

O Acelerador de Arrobas é uma metodologia estruturada, um passo a passo, que permite a qualquer fazenda alcançar uma produção de R$15.000 por hectare dentro de um ano. Sei que alguns podem achar isso impossível à primeira vista, mas esse método vai contra a pecuária tradicional brasileira de uma maneira positiva. Eu mesmo só acreditei depois de conseguir esse resultado em um cliente meu.

Para alcançar esses resultados, é necessário ajustar diversos aspectos da fazenda, fazendo mudanças que permitam uma produção sustentável. A maioria das fazendas que seguem métodos tradicionais, como o que era feito pelo meu pai ou pelo meu avô, não chega nem perto de uma produção desse nível. No entanto, quando se fazem os ajustes necessários, é sim possível produzir R$15.000 por hectare com pecuária de corte.

Como surgiu a metodologia do Acelerador de Arrobas?

Antes de explicar o passo a passo para alcançar essa meta, é importante entender como a metodologia surgiu. Eu comecei minha carreira trabalhando em uma empresa de consultoria, onde participei da intensificação de várias fazendas de pecuária de corte no norte do Mato Grosso e no sul do Pará. Durante esse período, notei que algumas fazendas alcançaram resultados muito melhores do que outras, mesmo com recomendações semelhantes.

Quando me desliguei da empresa, comecei a estudar o que havia acontecido com essas fazendas de maior desempenho. Mapeei os processos, identificando os fatores que contribuíram para o sucesso delas, e percebi uma série de similaridades entre essas fazendas vencedoras — similaridades que não estavam presentes nas fazendas de menor resultado. A partir disso, criei um processo lógico que poderia ser ajustado e seguido por qualquer fazenda, independentemente de suas características específicas.

Por que qualquer fazenda pode adotar o método?

Embora existam fazendas espalhadas pelo Brasil com diferentes tipos de solo, regimes de chuva, temperaturas e outras particularidades regionais, o método Acelerador de Arrobas é adaptável a essas diferenças. Ele pode ser seguido por qualquer fazenda, desde que se ajustem os parâmetros de acordo com suas características únicas.

No entanto, apenas estudar e mapear esses fatores não era suficiente. Era necessário testar o método na prática para validar se a teoria estava correta. Essa validação foi realizada em fazendas reais, tanto em fazendas já intensificadas quanto naquelas que estavam começando a intensificação. Durante a implementação prática, ajustes foram feitos conforme necessário para garantir que o método realmente funcionasse em diferentes condições.

A validação na prática com o boi de corte

A implementação prática nas fazendas foi essencial para entender o que poderia dar errado, o que funcionava bem e como ajustar o método para alcançar o melhor desempenho. O método Acelerador de Arrobas é, essencialmente, uma replicação das práticas bem-sucedidas observadas em fazendas de alto desempenho. 

A chave é ajustar esses parâmetros para que se encaixem perfeitamente nas necessidades e características da sua fazenda e do boi de corte.

Por que implementar o Acelerador de Arrobas?

Mas por que, afinal, você deve implementar o Acelerador de Arrobas na sua fazenda de pecuária de corte? No mercado agropecuário atual, duas culturas se destacam e competem fortemente com a pecuária: soja e milho. Ambas têm roubado, por assim dizer, áreas que eram tradicionalmente destinadas à pecuária. Além disso, os agricultores não fazem as coisas de qualquer jeito; a tecnologia e o nível de investimento na produção de soja e milho são muito altos, o que resulta em atividades mais lucrativas.

Hoje, em grande parte do Brasil, a soja produz cerca de 60 sacos por hectare, com a cotação atual de R$167 por saco, e o milho produz em média 110 sacos por hectare, com a cotação de R$85 por saco. Isso gera uma receita combinada de R$19.370 por hectare ao ano para um produtor que planta soja e, depois, milho na mesma área.

A rentabilidade do Acelerador de Arrobas com o boi de corte versus agricultura

Você pode estar se perguntando: “Como o método Acelerador de Arrobas, que visa produzir R$ 15.000 por hectare, pode competir com a agricultura que gera quase R$20.000 por hectare?” A resposta está em dois fatores cruciais: margem de lucro e a relação risco-retorno.

Se analisarmos a margem de lucro, a agricultura média brasileira tem uma margem de cerca de 15%, o que significa que dos R$19.370 faturados por hectare por ano, apenas R$2.905 sobrariam no bolso do agricultor. Já a pecuária tradicional tem uma margem entre 30% e 35%, enquanto o Acelerador de Arrobas, sendo mais intensiva, apresenta uma margem de 25%. 

Mesmo com uma margem menor do que a pecuária tradicional, devido ao maior volume de produção, o lucro final ainda é maior. No método Acelerador de Arrobas, por exemplo, os R$ 15.000 produzidos por hectare com uma margem de 25% resultam em R$3.750 no bolso do pecuarista, R$800 a mais do que o agricultor que planta soja e milho.

Além disso, existe a relação entre risco e retorno. Em qualquer investimento, quanto maior o risco, maior é a chance de retorno, mas também a possibilidade de perda. A pecuária tradicional é de baixo risco e baixo retorno; já a agricultura tem um alto risco, mas com potencial de alto retorno. O Acelerador de Arrobas, por sua vez, requer um investimento médio, o que também significa um risco moderado e um retorno relativamente alto.

Como implementar o Acelerador de Arrobas: as etapas essenciais

Confira todos os passos:

Entendendo o investimento e o risco do Acelerador de Arrobas

O Acelerador de Arrobas requer um investimento de nível médio, diferentemente da pecuária tradicional, que é de baixo investimento e baixo risco. O risco no Acelerador de Arrobas é médio porque, apesar de ser maior do que na pecuária tradicional, ainda é menor do que o risco presente na agricultura. 

O motivo para esse risco intermediário é que o Acelerador de Arrobas envolve intensificação — ou seja, produzimos mais na mesma área. Portanto, se houver falta ou excesso de chuva, o impacto será maior do que na pecuária tradicional, mas menor que na agricultura.

Apesar disso, o retorno do Acelerador de Arrobas é alto, podendo sobrar até R$800 por hectare a mais do que na agricultura. Isso significa que, mesmo com um alto retorno, o risco envolvido não é tão grande quanto na agricultura, o que torna o Acelerador de Arrobas uma opção atraente para quem deseja permanecer competitivo no setor agropecuário.

A necessidade de implementar o Acelerador de Arrobas

Se você é pecuarista e deseja continuar na atividade, é fundamental começar a implementar o Acelerador de Arrobas na sua fazenda. Continuar com métodos tradicionais, mantendo poucos animais por hectare e com baixos ganhos, pode significar perder espaço no mercado. Mais cedo ou mais tarde, a concorrência com produtores de soja e milho, ou com pecuaristas que adotaram o Acelerador de Arrobas, pode forçá-lo a sair da atividade.

Agora que você entende a importância da pecuária intensiva e seu potencial de lucratividade, vamos explicar como implementar o método Acelerador de Arrobas na sua fazenda. O método foi dividido em cinco etapas essenciais, cuidadosamente desenvolvidas, testadas e validadas para garantir o sucesso.

As cinco etapas do método Acelerador de Arrobas

Veja quais são:

1. Raio-X da fazenda

A primeira etapa é chamada de “Raio-X”, um diagnóstico completo da situação atual da fazenda. Esse diagnóstico abrange a análise de diversos aspectos:

  • Pasto: Verificação da formação, limpeza e qualidade dos pastos.
  • Infraestrutura: Condições das cercas, aguadas, coxos (tamanho e formato), presença de bebedouros naturais ou artificiais, além da condição geral de instalações como curral, barracão e sede.
  • Mão de obra: Avaliação da equipe quanto à capacidade e disposição para intensificação.
  • Gestão: Verificação da existência e eficácia de gestão zootécnica, controle animal, financeiro e de entradas e saídas.
  • Maquinário: Avaliação dos equipamentos disponíveis e necessidade de aquisição para intensificação.

2. Projeto de aptidão

Com base no diagnóstico, a segunda etapa é a criação do “Projeto de Aptidão”. Este projeto traça um plano de longo prazo para a fazenda, considerando seu potencial produtivo. Por exemplo, ele define que em 10 anos, a fazenda terá 70% da área intensificada com um determinado número de animais por hectare, usando práticas específicas como pasto rotacionado, água encanada, correção e adubação.

O objetivo é evitar erros e garantir que cada ação realizada hoje esteja alinhada com a meta de longo prazo.

3. Planejamento de safra

O “Planejamento de Safra” é a terceira etapa, e consiste em dividir o Projeto de Aptidão em objetivos anuais. Em vez de visualizar todas as ações necessárias para os próximos 10 anos, o foco é apenas no que precisa ser feito naquele ano específico.

Por exemplo, pode-se planejar a reforma de um pasto, a construção de um reservatório ou a implementação de um sistema de irrigação para aquele ano. Esse planejamento envolve decisões detalhadas, como o tipo de calcário ou adubo a ser utilizado, o tamanho e formato de reservatórios de água, e outras especificações técnicas.

4. Acompanhamento do boi de corte

A quarta etapa é o “acompanhamento”. Essa fase é crucial para monitorar o progresso e fazer ajustes durante o processo. Por exemplo, se o planejamento inclui o ganho de peso de 1 kg por dia para cada animal, é necessário acompanhar se essa meta está sendo atingida.

Se os resultados não estiverem conforme o esperado, é possível fazer ajustes antes que a safra termine. Pode ser necessário ajustar a suplementação alimentar, modificar a gestão do pasto ou revisar a manutenção de infraestrutura. O acompanhamento contínuo permite que problemas sejam identificados e corrigidos rapidamente.

5. Fechamento

A última etapa é o “Fechamento”, um levantamento geral de todos os resultados alcançados durante a safra. Nesta fase, são analisados indicadores-chave como:

  • Custos e faturamento
  • Custo por arroba produzida
  • Desembolso por cabeça ao mês
  • Percentual de atividades concluídas no prazo

Esse levantamento final permite avaliar a eficácia do planejamento e identificar áreas de melhoria para a próxima safra.

Aplicação do método na consultoria e treinamento

Todos esses passos são implementados na minha consultoria, que pode ser presencial ou online, e também no projeto Acelerador de Arrobas — um treinamento para profissionais do setor agro.

Testando o método Acelerador de Arrobas na prática

Se você ainda tem dúvidas sobre a viabilidade da produção de R$15.000 por hectare, é importante analisar exemplos práticos. Vamos considerar o valor de arroba no mercado atual e demonstrar como o método Acelerador de Arrobas pode ser aplicado para alcançar esses números…

Calculando o retorno: 15 mil reais por hectare

Para atingir o objetivo de produzir 15 mil reais por hectare, é necessário entender a quantidade de arrobas de peso vivo que precisa ser gerada. Por exemplo, ao dividir os 15 mil reais pela média atual de valor da arroba do boi magro (55,5 arrobas, no momento da análise), conclui-se que é necessário produzir aproximadamente 1.665 quilos de peso vivo por hectare.

Se considerarmos um período de 200 dias de chuva (ajustando de acordo com a realidade da fazenda e da região), a produção necessária seria de 8,3 quilos por dia. Optando por uma recria intensiva que utilize capim e suplementação de baixo consumo, focando nos dias de chuva, cada hectare com oito garrotes deve gerar aproximadamente 1,037 quilos de ganho de peso por animal por dia para alcançar essa meta.

Terminação e potencial de lucro com o boi de corte

Vale destacar que este cálculo inicial não inclui a fase de terminação dos animais, o que poderia aumentar significativamente o retorno financeiro. Após 200 dias de recria intensiva, os animais podem chegar a 410 quilos, prontos para o processo de terminação intensiva a pasto (TIP) ou semi-confinamento, métodos que mantêm o ganho de peso elevado e aumentam ainda mais a produção por hectare. 

Assim, é possível superar facilmente os 15 mil reais de lucro, especialmente se for utilizada a terminação no cálculo total.

Mudança de mentalidade e necessidade de investimento no boi de corte

Para alcançar resultados tão promissores, não é possível continuar com práticas tradicionais. Ou seja, é necessário investir em várias frentes: manejo de pasto, mão de obra qualificada, adubação, suplementação, genética e tecnologia. 

O Acelerador de Arrobas, embora demande um investimento moderado comparado à agricultura, é viável e capaz de gerar grandes retornos, desde que se coloque o conhecimento e a tecnologia certos nos lugares certos.

As três opções para o pecuarista com o boi de corte

Para o produtor que deseja alcançar esses resultados, há três caminhos a seguir:

  1. Manter o modelo tradicional: Continuar com práticas convencionais de pecuária, o que resultará em baixos lucros e pode levar, eventualmente, à perda de competitividade.
  2. Tentar intensificar sozinho: Buscar implementar práticas de intensificação por conta própria, o que pode resultar em erros e desperdício de recursos até que se aprenda a maneira correta de operar.
  3. Aprender com o projeto Acelerador de Arrobas ou contratar consultoria: Aprender a intensificação de maneira correta com o projeto Acelerador de Arrobas ou contratar uma consultoria especializada para implementar as mudanças de forma assertiva, evitando erros e otimização do investimento.

Em última análise…

A intensificação da pecuária é não apenas uma oportunidade, mas uma necessidade para quem deseja permanecer competitivo no mercado. Com um método estruturado e validado como o Acelerador de Arrobas, é possível alcançar altos lucros com menor risco em comparação à agricultura. Para produtores e profissionais do agro, investir em conhecimento e tecnologia é fundamental para garantir um futuro próspero na atividade pecuária.

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