Angus: como fazer uma super suplementação para ganho de peso?

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O gado Angus é conhecido por sua carne de alta qualidade, marmoreio excepcional e sabor inigualável. Para otimizar o ganho de peso e a saúde desses animais, uma suplementação de ração adequada é essencial. 

Neste guia, exploraremos estratégias, composição nutricional e práticas de manejo para uma super suplementação eficaz.

imagem ilustrativa de angus em pastagem
Descubra como fazer uma super suplementação para ganho de peso do gado angus. | Foto: Freepik.

O que é Angus?

A carne Angus é uma das mais apreciadas para churrasco e possui origem no nordeste da Escócia. Ela não é um corte específico, mas sim uma raça de gado. Existem dois tipos principais de Angus: o Aberdeen Angus e o Red Angus. Essa carne se destaca por sua maciez, sabor único, marmoreio sensacional de gordura e aspecto “amanteigado”. 

No Brasil, o gado Angus é resultado do cruzamento entre exemplares escoceses, e sua qualidade é aprimorada constantemente. Não confunda com a picanha Wagyu, que é outra raça com genética específica.

A importância de entender os conceitos de suplementação

Existe uma pergunta comum, que é: “qual é o melhor suplemento para ganho de peso?” A resposta é simples: ele não existe. O que realmente faz a diferença é entender os conceitos que tornam um suplemento adequado ou não para o seu gado. Ao entender esses conceitos, você estará capacitado a tomar a melhor decisão para a sua propriedade, evitando receitas genéricas e soluções milagrosas que circulam na internet.

Fatores que influenciam a produção de arrobas

A princípio, é fundamental entender como é composta a produção de arrobas. Isto é, a produção depende de alguns fatores, assim como: 

  1. Manejo de pastagem: A escolha da forrageira, o tipo de solo, o clima, a adubação e a irrigação são cruciais. Um bom manejo do pasto é essencial para garantir que o gado tenha acesso a alimento de qualidade durante todo o ano.
  2. Ciclo pecuário: O ciclo de produção do gado, que inclui as fases de cria, recria e engorda, impacta diretamente na oferta de boi gordo para o abate. A sazonalidade das chuvas também afeta a qualidade das pastagens e, consequentemente, a produção de arrobas.
  3. Tecnologia e Inovação: A aplicação de tecnologias, como a suplementação alimentar e o uso de técnicas de melhoramento genético, pode aumentar a eficiência na produção.
  4. Fatores climáticos: Condições climáticas adversas, como secas ou chuvas excessivas, podem afetar a disponibilidade e a qualidade das pastagens, impactando a produção

O que é GMD e por que ele é importante?

GMD, ou Ganho Médio Diário, é uma métrica fundamental que indica quanto de peso cada animal está ganhando por dia. Para ilustrar isso, vou usar uma tabela com um GMD considerado “normal”, que ainda é superior à média de muitas propriedades no Brasil.

A tabela mostra o peso do animal, o GMD, e o custo por cabeça por mês, ao longo de um ciclo que vai de julho a junho. Por exemplo, se começarmos a recria em julho com um animal de 200 quilos, podemos esperar um ganho de 150 gramas por dia durante os meses de seca (julho a setembro) e um aumento para 700 gramas por dia nos meses de chuva (outubro a maio). Com esse regime, o animal chegaria a maio com aproximadamente 360 quilos.

No cenário “normal”, o GMD médio seria de 517 gramas, com um custo total de R$600 por cabeça, resultando em uma produção de 6,05 arrobas e um custo de R$99 por arroba produzida.

Angus como fazer uma super suplementação para ganho de peso

Esse método de manejo, ao garantir um ganho de peso consistente e adequado, não só melhora a saúde e o bem-estar dos animais, mas também otimiza a eficiência da produção. O aumento no GMD durante os meses de chuva, em particular, demonstra a importância de um manejo nutricional estratégico, que maximiza o potencial de crescimento dos animais e, consequentemente, a rentabilidade da operação pecuária.

quantidade correta suplementação para ganho de peso para Angus

A Importância de investir corretamente

Esse exemplo demonstra a importância de investir corretamente na pecuária. Mesmo gastando mais por cabeça, a produção de arrobas aumentou, o que, na prática, reduziu o custo de produção. Se o dinheiro que você investe na pecuária não está retornando como deveria, é porque algo está errado na sua estratégia.

Investir mais em suplementação e manejo não significa, necessariamente, ter um custo maior por arroba produzida. Pelo contrário, se bem feito, esse investimento pode levar a uma maior produtividade e, consequentemente, a uma redução nos custos de produção. Além disso, o investimento em suplementação e manejo adequado pode resultar em um aumento significativo no Ganho Médio Diário (GMD) dos animais. Nesse sentido, um GMD mais alto indica que os animais estão ganhando peso mais rapidamente, o que acelera o tempo de engorda e permite uma rotação mais rápida do rebanho. Isso não só melhora a eficiência da produção, mas também maximiza o retorno sobre o investimento, tornando a operação mais lucrativa a longo prazo, com melhores resultados.

Como suplementar corretamente na recria intensiva

Agora que entendemos a importância de um GMD elevado e como isso afeta a produção de arrobas, vamos aprofundar na suplementação adequada para a recria intensiva, com base no nosso método de recria dentro do Portal Acelerador de Arrobas.

Um conceito essencial é a “Lei do Mínimo”, representada por um barril, que também se aplica à nutrição e suplementação.

A lei do mínimo na nutrição animal do Angus

Imagine que temos um grande barril, conhecido como o “Barril do Chaves”, onde cada tábua representa um fator de produção como proteína, energia, matéria seca, cálcio, fósforo, entre outros elementos essenciais para a nutrição animal. A quantidade de água que você pode colocar nesse barril representa o peso que o animal pode ganhar por dia. Se uma dessas tábuas estiver muito baixa, o barril não será capaz de reter toda a água, fazendo com que parte dela vaze. Assim, mesmo que todas as outras tábuas estejam altas, o ganho de peso do animal será limitado pela tábua mais baixa.

O mesmo princípio se aplica à nutrição e suplementação animal. Não adianta fornecer uma alta quantidade de proteína se o balanço energético do animal não estiver adequado. Da mesma forma, a abundância de proteína e energia não trará os resultados esperados se houver uma deficiência em minerais como fósforo, cálcio ou sódio. Portanto, é crucial garantir que todos esses fatores estejam equilibrados para otimizar o ganho de peso.

Suplementação do Angus em diferentes fases do ano

É comum que produtores utilizem suplementos proteinados durante o período das chuvas, especialmente quando o pasto está bem manejado e adubado. No entanto, essa prática pode não ser a mais eficaz se o pasto já possui uma alta concentração de proteína. Neste caso, o gado já consome uma quantidade significativa de proteína do próprio capim, e adicionar mais proteína através do suplemento pode não aumentar significativamente o ganho de peso. O ideal seria equilibrar a dieta com mais energia e minerais, ajustando a suplementação de acordo com a Lei do Mínimo.

imagem ilustrativa de bois angus em colina
Confira o impacto da super suplementação na qualidade da carne angus. | Foto: Freepik.

A escadinha da suplementação

Quando falamos de suplementação, existe uma hierarquia a ser seguida:

  1. Sal mineral: Fundamental, mas não deve ser confundido com sal branco, que hoje em dia é apenas um ingrediente na formulação de outros suplementos.
  2. Sal aditivado e sal ureado: Variedades de sal mineral com aditivos ou ureia.
  3. Proteinado: Suplemento com foco em proteína, especialmente útil em pastagens de baixa qualidade.
  4. Proteico energético: Um suplemento mais avançado que equilibra proteína e energia.

Após chegar ao nível de proteico energético na recria, o próximo passo não é aumentar a qualidade do suplemento, mas sim ajustar o consumo. A eficácia do suplemento depende muito de como ele é consumido pelos animais.

Entendendo os níveis de consumo do Angus: 01, 02, 03…

Os números 01, 02, 03 indicam a porcentagem do peso vivo do animal que deve ser consumido em suplemento diariamente. Por exemplo, um bezerro de 200 quilos comendo um proteinado 0,1% deve consumir 200 gramas por dia. Se o mesmo bezerro consome 0,3%, ele deverá consumir 600 gramas por dia.

É importante ajustar a quantidade de suplemento conforme o animal ganha peso. Se o animal começa com 200 quilos e o objetivo é que ele consuma 03% do peso vivo, no final do período de recria, quando o animal atinge 390 quilos, ele precisará consumir 1,170 gramas por dia. Este ajuste é essencial para garantir que o suplemento continue atendendo às necessidades nutricionais do animal ao longo de seu crescimento.

Elementos essenciais para uma suplementação de sucesso

Para alcançar uma suplementação eficaz, alguns elementos são essenciais:

  1. Produto correto: O suplemento deve ser adequado às necessidades nutricionais do gado, considerando a composição do pasto e o estágio de desenvolvimento dos animais.
  2. Quantidade correta: A quantidade de suplemento fornecida deve ser ajustada conforme o peso do animal para garantir que ele esteja recebendo a nutrição necessária.
  3. Frequência correta: Suplementos de alto consumo devem ser fornecidos diariamente, pois tentar limitar o consumo não funciona na prática. Se o animal necessita de 600 gramas de suplemento, fornecer o dobro na esperança de que dure dois dias não trará bons resultados; os animais consumirão tudo de uma vez.
  4. Infraestrutura correta: A infraestrutura, especialmente a área de cocho, deve ser adequada para evitar que animais dominantes monopolizem o suplemento. Se o cocho é pequeno, apenas alguns animais conseguirão comer, deixando os outros sem acesso ao suplemento necessário, o que resulta em ganhos de peso desiguais dentro do lote.

Essa combinação de fatores é fundamental para garantir que a suplementação seja eficaz, aumentando o ganho de peso do gado e melhorando a rentabilidade da produção.

Finalizando a suplementação eficiente

Corrigindo problemas de infraestrutura

Decerto, um dos grandes desafios na suplementação é garantir que todos os animais do lote tenham acesso ao suplemento de forma adequada. Se a área de cocho for insuficiente, apenas os animais dominantes terão acesso ao suplemento, enquanto os outros ficam esperando e, consequentemente, ganham menos peso. Isso pode resultar em um lote onde poucos animais atingem o peso planejado, enquanto a maioria ganha muito menos.

A solução para esse problema é simples: aumentar a área de cocho. A área de cocho deve ser proporcional ao consumo estimado do suplemento, permitindo que todos os animais tenham a oportunidade de se alimentar ao mesmo tempo. Isso garante que o ganho de peso seja homogêneo entre os animais, evitando que o fundo de lote puxe a média para baixo e, potencialmente, cause prejuízos. Com uma área de cocho adequada, sua suplementação será mais eficaz e trará os resultados financeiros desejados.

A suplementação de sucesso para o Angus

Juntando todos os fatores discutidos, temos o que podemos chamar de suplementação de sucesso. Como mencionado, não existe produto milagroso; o sucesso depende de um contexto bem planejado e executado. É essencial escolher o produto certo, fornecer a quantidade adequada, manter a frequência correta e garantir uma infraestrutura apropriada.

Essa abordagem holística permite que a suplementação realmente cumpra seu papel: aumentar o ganho de peso dos animais e, consequentemente, aumentar a rentabilidade da produção. Ao entender esses princípios, você estará mais preparado para tomar as melhores decisões sobre qual suplemento utilizar e como implementá-lo de maneira eficiente.

O papel do GMD ajustado

Por fim, é crucial ajustar o Ganho Médio Diário (GMD) ao sistema de produção. Como ilustrado com exemplos de tabelas, um animal que atinge o final da estação de chuvas com um GMD tradicional pode chegar a um peso insuficiente, dificultando sua comercialização e aumentando o risco de precisar passar a seca na fazenda. Isso não é ideal, pois manter animais pesados durante a seca pode resultar em perda de peso e baixa rentabilidade.

Por outro lado, um GMD alto e bem ajustado à estratégia de pasto e lotação permite que o animal atinja um peso adequado para ser vendido ao final das chuvas, evitando problemas durante a seca. Essa prática não só melhora o desempenho do rebanho, mas também maximiza o retorno financeiro.

No método de intensificação de recria, o ganho de peso do animal fica um pouco mais evidente, com ganhos referentes ao ajuste de suplementação, assim como a tabela demonstra:

GMD padrão recria 15.1 bpara suplementação de angus e outras raças

A super suplementação para gado Angus é uma arte e uma ciência. Equilibrar nutrientes, monitorar o rebanho e ajustar conforme necessário são passos essenciais. Com as estratégias certas, você pode otimizar o ganho de peso e produzir carne Angus de alta qualidade. 

Continue aprendendo sobre o Angus para alcançar resultados excepcionais!

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